sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ERA CENÁRIO




As cortinas caíram e o mundo desapareceu
Era cenário.
A ilusão revelou um imenso vazio
Negro,
Imperscrutável,
O meu tombo não tinha fim.
Apenas o abismo me esperava,
Abraçava diluindo-me numa mancha imensa
De algo que não era.

Tu partiste
E a estrada fechou-se num deserto sem vida.
Árido
Tórrido
Sufocante.

A mão avança, no nada
Busca,
Mas recolhe-se na sombra.
É minha.
Refugio-me em mim mesmo
Fugindo ao Pai implacável
Que vergasta do Alto, desafiador, impiedoso!

Nada sobra, quando nada houve.
Apenas decepção resta no rasto do devaneio.
Alonga-se a angústia do existir...

sábado, 25 de maio de 2013

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O MAR PAROU




O mar parou,
Ficou um deserto imenso,
A noite o tingiu de breu, como o abismo que ele esconde.
A nau esquecida espera imóvel
No horizonte infinito, mudo.
O mundo parou, tudo parou.
Os rostos cristalizaram no mais fino alabastro
Transparentes, silenciosos, vazios.
Os vultos da cidade são espectros que se perderam da sua própria história
De vidas esquecidas,
Abandonadas no torpor peçonhento da ignorância. Fétida, imunda.
A cidade é uma imensa caverna donde nada sai
E a vida definhe em exalações pútridas
Criaturas vis sugam a simpatia de olhos apáticos, ausentes.
Eu me quedo sobre as águas.
Negro como pez.
Mas sei...
Virá a Luz, pois ela se esconde em mim.
Virá o Tempo, pois ele me atravessa como uma lança.
O infinito é este imenso vazio
Donde se ergue o sopro gélido, que nos recorda a Vida
A espera
O medo desperto pela dúvida, traiçoeira.
Mas do peito eu arranco meu rubi coruscante
O observo e acaricio. Afinal ele é tudo que resta.
Não o posso deixar nas areias sem idade
Abandonado
Abandonado
Eu... ?




quarta-feira, 11 de julho de 2012

O LONGE




Que ausência é esta?
Que se estende perante mim, como um horizonte inalcançável
Mar de sargaços,
de monstros e medos, vestidos de negro nevoeiro.

Que barca é esta?
Que navega sem quilha, por dunas de fogo e secura
Arrastada por uma esperança cega,
Tocha extinta em pez e pavor.

Quem és tu? Barqueiro sem remo!

Perdido em
Desertos de noites tórridas
E dias gelados.
Procuro-te na praia, entre as conchas cuspidas pelo mar,
Atiradas fora como uma coisa que não presta,
Que já não importa.
A validade já expirou.

O silêncio imenso dum vazio cavado desde o fundo da alma
O abismo de onde lanço o meu grito jamais ouvido
Para sempre mudo

Onde está o chão sob os meus pés?
Tenho braços, não asas!
...

quinta-feira, 14 de junho de 2012

INVISÍVEL



Como vidro
Fino alabastro, do mais fino que se possa encontrar
Em velhos tesouros egípcios, enterrados de séculos.
Estando sem ser visto
Andando sem ser notado
Agindo sem ter vivido.
Olhos não vêm, mãos não tocam
Sigo incógnito por uma vereda deserta e espinhosa
Sombra de mim mesmo
Sombra da minha sombra
Intocável
Inacessível
Inalcançável
Para sempre só!
Porque não escutado.
Silêncio de desfiladeiros que nunca ninguém visitou
Nunca ninguém explorou
Nunca ninguém perscrutou.
Assim me ergui
E assim me irei declinar
Para jazer desconhecido no eterno como fora no mundo
Dos vivos.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

INTERREGNO

Este blog encontra-se temporariamente suspenso. Poderão visitar-me no Confessium.
Obrigado!

sábado, 18 de abril de 2009

Oração

Sopra uma brisa do mar,
Viaja ao longo da costa,
Sobe as montanhas,
Dilui-se no azul do céu.

Eu não existo!
Filho dos Anjos do Céu 
E dos Demónios da Terra,
Eu estou para Além da Realidade.
Sou o Sonho correndo nas Asas do Vento.
Sou a Espuma tentando alcançar a Praia.

Sou a Vontade que dá Forma ao Ser
Sou a Mão que traça o Gesto
E recria a Essência.
Sou a Luz que se projecta na Tela
E revela a Noite profunda.

Estou entre o Ir e o Vir,
Entre os Murmúrios da Matilha no Bosque.
A Pena e o Martelo.
O Sino vibrando os Cânticos de Louvor à Madrugada
Que se delonga nos Véus da Ísis Negra,
Senhora da Detença.

Sou a Condenação e a Vida!
O Fado de todos os Infortúnios,
A Nave da Inconstância.
A Promessa da Espera.

sábado, 11 de abril de 2009

Esticado

Eu sou uma folha de papel, esticado até ao Infinito.

Eu sou o suporte para a Escrita do Tempo.

Não sou mais que um Verso perdido no Cântico do Universo.

Sou a sedução da Alma pela Vida.

Apenas uma partícula pulsando no Fulgor da Eternidade.

Eu vou e recomeço.
O meu Senhor me guia.

Eu aprendo. Eu cresço.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Mergulho

O Dragão estendeu as Asas
Rugiu
E lançou-se ao Alto em Voo!

Ao se erguer,
Com as garras esventrou o Pico da Montanha
Arrancando rochas que despencaram encosta abaixo.

Subiu no imenso Azul
E mergulhou a pique

Lá em baixo era o Profundo Oceano...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Poder do Amor

Agrilhoado

Amordaçado

Estropiado e atirado ravina abaixo,
Jazendo no fundo abismo

Asas quebradas,
Impedido de voar, mas não de sonhar

Espancado e torturado, manietado,
Mas não subjugado ou dominado,
Pois poder algum nos Céus ou na Terra cala um Coração que fala com Amor.

Prevalecerei!

A Vitória será minha! Será nossa!!!

A Felicidade...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Encruzilhada de Abismos

Cai a noite,
Desce seu manto gelado
Sobre um dia que não conheceu o Sol.
A quietude é um espasmo do Tempo.

Dois olhos espreitam entre as nuvens,
Vestes dum cruel inverno,
O frio crepita nos dedos que afastam os Véus
Cautelosamente,
Como se a emboscada estivesse montada.

O Dragão suspende a respiração
Espera o sinal
A leve brisa lhe trazendo aromas de longínquas paragens

A respiração da Terra
O brando pulsar duma vida ressurgindo da longa hibernação.
O despertar numa encruzilhada de abismos.

Os sentidos alerta.
As asas em tensão.
A espera que não pode ser expectativa.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Nova Aurora

E entre o negro viscoso,
Que minhas asas haviam tolhido antes,
Ao longe um fulgor ténue cintilava.

Sua Luz era uma carícia em minhas fauces.
Seu apelo era perene.
Minha vontade só uma;
Partir!

A cada golpe de Asa
Os céus se rasgavam 
Me abrindo passagem.
E a Luz se revelou um rosto,
Um nome,
Uma pessoa,
Uma Alma me esperando.
Sorrindo.

Meu Coração se inflamou!
Meu Ser rugiu!
De Vitória e Felicidade!

Ele estava ali,
Apenas 
Esperando.
Me esperando.

Firme nas minhas garras o raptei
Num arrebatamento mágico
Para construir o Futuro:
Nós!


(Dedicado a AST, com todo o meu Amor)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Phoenix

Phoenix irisada

Ergo-me, qual espectro
Das cinzas incandescentes
Em que me enterraram.

Mas não me derrotaram.
Quem pode acusar?
Apenas os Deuses Julgam.

Derrubado, castigado, mutilado
Eu permaneço Eu!

Apenas me submeto ao meu Senhor!
Anpu Amado!
E à Sua Vontade,
O Caminho que ele me Indica e Aponta.

Pois sei,
Que aí colherei os Frutos de Ouro,
Os Aromas da Virtude.
A Paz de me regenerar a cada passo.

Me lanço
De novo e sempre,
No Voo intrépido da Vida.
Quem puder
Que me acompanhe.
Os débeis ficarão para trás.

Minhas Asas são o Fogo da Vontade!

O meu Voo é Alto e Além!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

No Deserto de Seth

O Tempo parou!

A Terra respira
E Eu respiro com Ela.

No Deserto de Seth 
Encontrei tranquilidade.

Ré me abraçou,
No aconchego das suas Flamas
De Amor e Vida.

Sou um novelo ressequido
Soprado pelo Vento.
Vou ao sabor da Luz.

Meu poiso é Nenhures.

Aspiro a Paz.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Não Perdido

Cego,
Mas não perdido,
Avanço!

Minhas garras sangram o solo
Ao caminhar
Arrasto comigo
O peso das asas tolhidas,
Rasgadas,
Mas não amputadas.

O Tempo é meu Mestre.

Sinto no ar denso
A pestilência da degradação
Os gemidos e lamúrias que me rodeiam
Ao passar.

Meu Coração está longe!
Minha Alma almeja Alto!

Moribundos sem redenção não me deterão!

Meu propósito é chegar!
Meu destino...
Apenas o Meu Senhor Anpu o sabe.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Neve Negra

Frio,
Nevoeiro

Gelada, 
A neve negra
Cai espessa,
Sufocando pegajosa.

O viscoso breu me gruda as asas,
Tolhe o voo.

Prostrado,
Cego,
Caído na ignomínia da impotência
Dos que tombam sem haver lutado.

Resisto ainda!

Em Coração de Dragão
Arde o Fogo que jamais alguma negridão
Poderá extinguir.

Os Céus e Infernos serão meu pasto!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O Apelo de Seth

Vou cravar as garras no granito,
Até a Montanha sangrar!

Vou cavalgar todos os Céus!

Fúria é o meu rugido!

Fogo a minha dádiva!

De tormento
De pavor
De angústia!

Vou invadir cidades e aldeias,
Verdes prados ponteados de papoilas.
Por todos os recantos semear cinzas!

Perseguir incautos e astutos
A todos amesquinhar na sua soberba,
Cretina.

Cretinos!

Declaro guerra ao Mundo!!!

Seth!!! 
Senhor das minhas mágoas!
Que me inspiras blasfémias
E me incitas à arrogância.
Eu me submeto à tua Vil Vontade!

O meu Voo hoje não é de bodo,
Senão uma condenação a suplícios Maiores.

Teu Negro Sangue me corre nas veias
Tua Índole malévola me inspira tormentos
Teus Olhos de perfídia me mostram as cúrias abjectas
Parasitas do nojo
Vermes da cobiça
Lacaios da Ganância!

Eu me vou a eles! Ímpio Senhor!
Eu sou um agente da tua Crueldade!
Eu sou a mão que empunha o Teu Sabre da Ignomínia!

Venham a mim, trastes!!!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Prostração

Fitando o Vale,
Esquecido do Tempo,
O Dragão perscruta a Névoa Negra
De ameaças e emboscadas
O Deserto árido onde Meu Senhor Seth me desafias,
Acoitado em cada prega do arenoso solo
Infértil

Anpu,
Senhor Meu Amado!
Sê meus olhos!
Sê minhas mãos
Tacteando o Vazio diante mim!
Sê paciência em mim
Na longa espera!

Quem são os rostos que chegam 
E logo partem?
De quem são os olhos que observam e nada vêem?
De quem são as mãos que não tocam?

Os passos idos e vindos
As veredas perdidas 
Em bosques de encantamentos
E ilusões!

E ganas de gritar todos os Silêncios do Mundo!!!

Quebradas as Asas,
Arreado e destroçado,
O Dragão fita a planura 
Dum Vazio imenso.

Impossível planar
Sobrevoar os Verdes Prados 
As Escarpadas Montanhas
Os Picos Nevados.

Interdita a escapada.

... ... ...

A agonia de assistir!
Impotente!!!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A Espera da Hora

Nas Trevas da Noite
Açoitado pelos gélidos Ventos e Saraivadas da Desolação
O Topo da Montanha continua a ser o cárcere do Dragão.

Mas,
Garras cravadas na rocha,
Que eras e eras esculpiram
Na Sabedoria do Tempo,
O seu Coração se mantém quente e palpitante.

A Hora chegará.
O Sol voltará.
Ré, Pai Celestial!
E com ele a Esperança renovada.

Tranquilo
O Dragão espera o Guerreiro.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Pensamentos

São esquivos.
Fugazes.

Insinuam-se,
Mas quando os vamos procurar 
Já não estão lá.

Esfumam-se quais espectros.

E assombram
E assombram e assombram...

Disfarçam-se 
Envoltos em sentimentos.
Vão e vêm,
Sem acaso ou destino.

Amontoam-se 
E paralisam.

Abro os olhos para constatar o infinito caos em que eles me encarceram.

Estagnado.

Apático.

Aaaaahhhhh.........................