segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

No Deserto de Seth

O Tempo parou!

A Terra respira
E Eu respiro com Ela.

No Deserto de Seth 
Encontrei tranquilidade.

Ré me abraçou,
No aconchego das suas Flamas
De Amor e Vida.

Sou um novelo ressequido
Soprado pelo Vento.
Vou ao sabor da Luz.

Meu poiso é Nenhures.

Aspiro a Paz.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Não Perdido

Cego,
Mas não perdido,
Avanço!

Minhas garras sangram o solo
Ao caminhar
Arrasto comigo
O peso das asas tolhidas,
Rasgadas,
Mas não amputadas.

O Tempo é meu Mestre.

Sinto no ar denso
A pestilência da degradação
Os gemidos e lamúrias que me rodeiam
Ao passar.

Meu Coração está longe!
Minha Alma almeja Alto!

Moribundos sem redenção não me deterão!

Meu propósito é chegar!
Meu destino...
Apenas o Meu Senhor Anpu o sabe.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Neve Negra

Frio,
Nevoeiro

Gelada, 
A neve negra
Cai espessa,
Sufocando pegajosa.

O viscoso breu me gruda as asas,
Tolhe o voo.

Prostrado,
Cego,
Caído na ignomínia da impotência
Dos que tombam sem haver lutado.

Resisto ainda!

Em Coração de Dragão
Arde o Fogo que jamais alguma negridão
Poderá extinguir.

Os Céus e Infernos serão meu pasto!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O Apelo de Seth

Vou cravar as garras no granito,
Até a Montanha sangrar!

Vou cavalgar todos os Céus!

Fúria é o meu rugido!

Fogo a minha dádiva!

De tormento
De pavor
De angústia!

Vou invadir cidades e aldeias,
Verdes prados ponteados de papoilas.
Por todos os recantos semear cinzas!

Perseguir incautos e astutos
A todos amesquinhar na sua soberba,
Cretina.

Cretinos!

Declaro guerra ao Mundo!!!

Seth!!! 
Senhor das minhas mágoas!
Que me inspiras blasfémias
E me incitas à arrogância.
Eu me submeto à tua Vil Vontade!

O meu Voo hoje não é de bodo,
Senão uma condenação a suplícios Maiores.

Teu Negro Sangue me corre nas veias
Tua Índole malévola me inspira tormentos
Teus Olhos de perfídia me mostram as cúrias abjectas
Parasitas do nojo
Vermes da cobiça
Lacaios da Ganância!

Eu me vou a eles! Ímpio Senhor!
Eu sou um agente da tua Crueldade!
Eu sou a mão que empunha o Teu Sabre da Ignomínia!

Venham a mim, trastes!!!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Prostração

Fitando o Vale,
Esquecido do Tempo,
O Dragão perscruta a Névoa Negra
De ameaças e emboscadas
O Deserto árido onde Meu Senhor Seth me desafias,
Acoitado em cada prega do arenoso solo
Infértil

Anpu,
Senhor Meu Amado!
Sê meus olhos!
Sê minhas mãos
Tacteando o Vazio diante mim!
Sê paciência em mim
Na longa espera!

Quem são os rostos que chegam 
E logo partem?
De quem são os olhos que observam e nada vêem?
De quem são as mãos que não tocam?

Os passos idos e vindos
As veredas perdidas 
Em bosques de encantamentos
E ilusões!

E ganas de gritar todos os Silêncios do Mundo!!!

Quebradas as Asas,
Arreado e destroçado,
O Dragão fita a planura 
Dum Vazio imenso.

Impossível planar
Sobrevoar os Verdes Prados 
As Escarpadas Montanhas
Os Picos Nevados.

Interdita a escapada.

... ... ...

A agonia de assistir!
Impotente!!!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A Espera da Hora

Nas Trevas da Noite
Açoitado pelos gélidos Ventos e Saraivadas da Desolação
O Topo da Montanha continua a ser o cárcere do Dragão.

Mas,
Garras cravadas na rocha,
Que eras e eras esculpiram
Na Sabedoria do Tempo,
O seu Coração se mantém quente e palpitante.

A Hora chegará.
O Sol voltará.
Ré, Pai Celestial!
E com ele a Esperança renovada.

Tranquilo
O Dragão espera o Guerreiro.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Pensamentos

São esquivos.
Fugazes.

Insinuam-se,
Mas quando os vamos procurar 
Já não estão lá.

Esfumam-se quais espectros.

E assombram
E assombram e assombram...

Disfarçam-se 
Envoltos em sentimentos.
Vão e vêm,
Sem acaso ou destino.

Amontoam-se 
E paralisam.

Abro os olhos para constatar o infinito caos em que eles me encarceram.

Estagnado.

Apático.

Aaaaahhhhh.........................